Era mais um dia comum e festivo para a população humaniense.
O dia do labirinto da lança, onde um touro é solto num labirinto, enquanto os humanienses se divertem jogando lanças no animal. O clímax se dá quando o bicho chega ao final do labirinto cheio de lanças, sangue e vitória, pronto para o abate.
A carne que essa população anseia.
O touro foi colocado na porta do labirinto, sem entender muita coisa, porém, ao sentir a primeira lança no seu couro, sabia que o caminho era avante.
A princípio sentia medo, entretanto, aos poucos, o sentimento de raiva tomou conta do seu ser.
Afinal, que mal havia feito àqueles seres?
Porque o estavam perseguindo?
Não encontrando lógica nos questionamentos e percebendo que ao final morreria (todos morrem, acontece que aquele seria seu dia) resolveu ir contra os lanceiros. Na realidade contra os muros do labirinto. Sangrava, sujava os muros do labirinto, assustava os seres humanienses (que continuavam a atacá-lo).
E o bicho revidava e continuava seu percurso em direção ao fim. Imaginava que se corresse muito poderia morrer em paz.
Os humanienses acharam aquele bicho muito agressivo, comentavam que precisariam repintar o labirinto por dentro, por conta de sujeira feita pelo animal.
Enquanto isso, a vida banal do touro ia se esvaindo, ele se agarrava com todas as forças nela.
Acreditava que algo aconteceria.
O fazendeiro iria lhe buscar, foi um engano o acontecido.
Seus devaneios foram interrompidos quando ele se percebeu com cerca de duas dúzias de lanças no couro e uma dor lancinante percorrendo sua espinha.
Não acabara o labirinto, mas findava sua vida.
Um garotinho de nove anos, auxiliado pelo seu pai, cravou-lhe a última lança.
E tudo é festa!
Mais cerveja!
Coloca carvão para assar o animal!
A festa só está começando!
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